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Flamengo x Corinthians: Entenda a polêmica da expulsão de Carrascal e o VAR

Por Redação Flapress em 06/02/2026 04:20

A recente partida entre Flamengo e Corinthians, válida pela Supercopa Rei, foi palco de uma controvérsia que agitou as redes sociais e levantou questionamentos sobre a integridade do processo de arbitragem de vídeo. A expulsão do meia rubro-negro Jorge Carrascal desencadeou um debate acalorado sobre uma suposta interferência externa na sala do VAR, com a possibilidade, em tese, de anulação do confronto.

O epicentro da polêmica reside na presença de Péricles Bassols, designado como Observador do VAR, na sala de operações do árbitro de vídeo durante a análise de uma jogada específica: a falta cometida por Carrascal sobre Breno Bidon, do Corinthians. O incidente, ocorrido ao final do primeiro tempo, não foi percebido pelo árbitro de campo, Rafael Klein, que foi acionado para revisar o lance apenas no intervalo.

A Presença do Observador do VAR e o Protocolo

A participação de Bassols na revisão da jogada foi prontamente questionada pelo comentarista de arbitragem Paulo Caravina, que a apontou como um possível caso de interferência externa. No entanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) defende que essa atuação está em conformidade com as atribuições da função de Bassols na partida, conforme detalhado em comunicado oficial.

Luiz Marcondes, advogado e professor de Direito Desportivo, em declarações ao portal Terra, explicou que a comprovação de interferência externa exigiria evidências concretas da ação de Bassols. Contudo, ele ressalta que, na prática, o protocolo do VAR foi seguido de maneira técnica, alinhado com o Livro de Regras do Jogo da CBF.

"É preciso identificar se esta pessoa alheia ao VAR inicia, por conta própria, o processo de revisão. Se isso aconteceu, está fora da expressão da norma do jogo. Nesse caso, é importante frisar que a decisão final é do árbitro", destacou Marcondes, enfatizando a autonomia decisória do árbitro central.

Protocolo VAR: Limites e Responsabilidades

De acordo com o protocolo vigente, o observador do VAR tem a prerrogativa de intervir apenas para evitar infrações ao próprio protocolo, não podendo se envolver em nenhuma tomada de decisão. A CBF, por sua vez, assegura que Bassols "limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro".

A questão crucial, como aponta o especialista, reside em determinar quem efetivamente sinalizou o lance para revisão. "É importante destacar, também, quem teria apontado o lance para a revisão. A polêmica central é se as pessoas que estavam na sala do VAR e poderiam ser consideradas membros da equipe de assistência para análise do vídeo", afirmou Marcondes.

Revisão de Lances Graves e a Decisão do Árbitro

No que tange à decisão de Rafael Klein em expulsar Carrascal, Marcondes reitera que as regras do futebol preveem a possibilidade de revisão pelo VAR de incidentes graves que tenham passado despercebidos pelo árbitro principal. A ação do jogador rubro-negro, segundo o especialista, se enquadra perfeitamente nessa prerrogativa.

"Não tenho dúvida de que o preceito jurídico, que a norma específica que levou o árbitro a fazer o que foi feito, dá a condição de revisão e aplicação do cartão vermelho", pontuou Marcondes, validando a aplicação da sanção máxima.

Relembrando os Fatos e o Procedimento do VAR

O lance em questão ocorreu no apagar das luzes do primeiro tempo, quando Carrascal aplicou uma agressão em Breno Bidon, sem que o árbitro de campo percebesse. A etapa inicial foi encerrada e os atletas se dirigiram aos vestiários.

A checagem do VAR foi concluída após o intervalo. É importante frisar que a intervenção do VAR em casos de conduta violenta é permitida a qualquer momento da partida, inclusive após o reinício do jogo.

A CBF esclareceu em nota oficial: "No lance em questão, ao término do primeiro tempo, a varredura realizada pelo árbitro assistente de vídeo, com base nas imagens das 34 câmeras disponíveis, não identificou de forma conclusiva uma possível conduta violenta. A imagem que evidenciou o lance foi detectada apenas durante o intervalo da partida, procedimento que está expressamente amparado pelo Livro de Regras do Jogo".

As imagens captadas na cabine do VAR mostram Péricles Bassols ao lado do VAR Rodolpho Toski Marques e do assistente de VAR, Emerson de Almeida Ferreira. Bassols justificou a revisão, mesmo após o fim do primeiro tempo, com a frase: "Conduta violenta pode ser revisada a qualquer momento", ecoada por Toski Marques.

O árbitro de vídeo detalhou o lance ao árbitro de campo: "Eu vou te mostrar o ponto de contato, Klein, e depois em velocidade em 30%, você vai ver a mão fechada, fora da disputa de bola, uma conduta violenta atingindo o queixo do adversário".

Em resposta, Rafael Klein declarou: "Ok. Eu vejo o jogador fora da disputa da bola fazendo o movimento de soco, com a mão fechada, em direção a uma parte sensível do seu adversário, que é o rosto. A minha decisão é cartão vermelho para o número 15 (Carrascal) por conduta violenta, ok?".

Queda de Energia e o Uso Intermitente do VAR

Em um comunicado adicional, divulgado no mesmo dia, a CBF informou sobre uma queda de energia elétrica que afetou setores do estádio, incluindo a cabine do VAR, durante o intervalo. O sistema de contingência (nobreak) garantiu o funcionamento do VAR por aproximadamente 15 minutos. Devido à demora na normalização da energia na região, a partida prosseguiu sem o recurso do VAR entre os 15 e 34 minutos do segundo tempo.

O placar foi aberto pelo Corinthians no primeiro tempo, com gol de Gabriel Paulista. Minutos antes do período em que o VAR ficou inoperante, o time alvinegro ampliou com Memphis Depay, lance que foi anulado por impedimento. Yuri Alberto selou a vitória por 2 a 0 nos acréscimos.

Comunicado da CBF: Repúdio às Ilções

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) emitiu um comunicado em repúdio às ilações que atribuem a expulsão do atleta Jorge Carrascal, do Flamengo , na Supercopa Rei, a uma suposta interferência externa. A entidade ressalta que a atuação do Observador de VAR, Péricles Bassols, esteve dentro das suas atribuições.

A função do Observador de VAR na VOR (Video Operation Room) é assegurar o cumprimento do Protocolo do VAR e a correta aplicação das regras, sem qualquer ingerência na decisão do árbitro de campo. No lance em questão, a varredura inicial não foi conclusiva para conduta violenta, sendo a imagem determinante identificada apenas durante o intervalo, procedimento este amparado pelo Livro de Regras do Jogo.

Ao informar que se dirigiria à Área de Revisão do Árbitro (ARA), o árbitro central, Rafael Klein, foi orientado pelo VAR quanto ao cumprimento do protocolo. O Observador de VAR, Péricles Bassols, conforme a CBF, "limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro".

A entidade reforça que orientar sobre o procedimento é inerente à função do Observador de VAR e não configura interferência externa. Qualquer recomendação sobre a decisão final seria considerada interferência indevida, o que, segundo a CBF, não ocorreu. A decisão de expulsão foi tomada exclusivamente pelo árbitro central, após revisão das imagens na ARA, com recomendação do árbitro assistente de vídeo, Rodolpho Toski.

Por fim, a CBF reafirma que Péricles Bassols, Observador de VAR da partida, é instrutor de VAR da FIFA e da Conmebol, com atuação pautada pelo rigor técnico, pela observância das regras e pela integridade dos processos da arbitragem.

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Carlos

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Comentado em 06/02/2026 07:40 A gente sabe que o protocolo foi seguido, Bassols só reforçou o procedimento, Flamengo pode manter o foco
Maria

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Comentado em 06/02/2026 06:00 Vamos deixar isso pra trás e seguir em frente
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