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Flamengo adia construção de estádio próprio: entenda os motivos e o futuro do projeto

Por Redação Flapress em 13/02/2026 13:40

A aquisição do terreno no Gasômetro, oficializada em 2024 por aproximadamente R$ 170 milhões, marcou um passo significativo na concretização do projeto de um estádio próprio para o Flamengo. Contudo, a materialização desse sonho para a Nação Rubro-Negra ainda demandará um tempo considerável.

A atual gestão do clube demonstra uma postura ponderada em relação ao início das obras. Apesar de ter superado impasses judiciais com a Caixa Econômica Federal pela posse do terreno no final de 2025, mediante um acordo, a diretoria optou por renegociar o cronograma. Inicialmente previsto para inauguração em 2029 pela gestão anterior, o prazo foi estendido para 2036, com a possibilidade de novas postergações.

A rentabilidade do Maracanã e o cenário econômico

A decisão de postergar a construção do novo estádio encontra respaldo em dois pilares centrais: a atual conjuntura econômica brasileira e a crescente lucratividade obtida com o Maracanã.

A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, que se encontra em 15%, é um fator preponderante. O Flamengo argumenta que, com índices tão elevados, a captação de recursos via empréstimos se torna financeiramente inviável. Em entrevista ao jornal AS, o vice-presidente de futebol do clube, Marcos Braz, detalhou essa preocupação:

"Hoje, o Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo. Portanto, se decidirmos construir um estádio para o Flamengo, esse estádio teria que custar mais de 500 milhões de euros. Os juros sobre isso seriam de 75 milhões de euros por ano. Eu teria que pagar quase dois Lucas Paquetá por ano em juros. Por que eu faria isso se tenho o Maracanã? Se as taxas de juros no Brasil voltarem a 2% ou 3% ao ano, como estavam alguns anos atrás durante a pandemia, talvez faça sentido construir um estádio."

Um estudo encomendado ao Fundação Getulio Vargas (FGV) estimou o custo total do empreendimento, considerando inflação, contingências e insumos, em R$ 2,66 bilhões. A diretoria rubro-negra acredita que seria possível reduzir esse valor para R$ 2,2 bilhões, mas os juros elevados tornam o investimento arriscado.

A gestão Maracanã: lucratividade em ascensão

Paralelamente à questão dos juros, o Flamengo tem obtido resultados expressivos na gestão do Maracanã. O clube conseguiu otimizar os custos operacionais do estádio, o que resultou em um aumento significativo na margem de lucro por partida.

Dados apresentados em reunião do Conselho Deliberativo revelam um salto na arrecadação anual com bilheteria, que passou de R$ 44,5 milhões em 2024 para R$ 88,2 milhões em 2025. Essa melhoria se traduziu em lucros superiores a R$ 3 milhões por jogo em diversas partidas recentes, como:

Jogo Renda Bruta Aproximada Lucro Estimado
Flamengo x São Paulo (2-0) R$ 3.064.971,11 ~ R$ 2.206.779
Flamengo x Grêmio (1-1) R$ 3.302.897,16 ~ R$ 2.378.066
Flamengo x Cruzeiro (0-0) R$ 3.175.067,73 ~ R$ 2.286.048
Flamengo x Santos (3-2) R$ 3.020.603,67 ~ R$ 2.174.762

A performance em competições continentais também tem sido expressiva. Embora a Conmebol não divulgue os borderôs detalhados, estima-se que o Flamengo tenha lucrado mais de R$ 3 milhões em partidas da Libertadores contra Estudiantes e Racing, com receitas brutas de R$ 6.628.323,75 e R$ 9.714.891,25, respectivamente.

Marcos Braz ressaltou a eficiência da atual gestão em comparação com a anterior:

"A administração anterior era dona do Maracanã e, sob sua gestão, gerava uma margem de lucro de 30% por partida. Com a nossa gestão, a receita do Maracanã dobrou e nossa margem aumentou de 3% para 72%. (...) Com as taxas atuais (de juros), é melhor ter dinheiro em caixa, jogar no Maracanã, que está rendendo excelentes resultados - estamos faturando muito no Maracanã - e ter verba para contratar o Lucas Paquetá."

A decisão de priorizar o Maracanã e adiar a construção do novo estádio é vista como uma estratégia financeira e econômica prudente. O dirigente enfatizou:

"Se construo um estádio, sem dúvida, toda essa estrutura que criei será afetada. Toda escolha envolve uma renúncia. Se decidir construir um estádio, certamente não haverão outros Samuel Lino ou Lucas Paquetá, mas poderei ter um estádio novo. O objetivo é ganhar dinheiro. É uma decisão de natureza financeira e econômica. Não posso comprometer o futuro do nosso time porque vou construir um estádio que é um projeto para 50 anos."

Obstáculos remanescentes no terreno

Independentemente da decisão sobre a construção, a liberação completa do terreno do Gasômetro ainda enfrenta desafios. A estrutura da Naturgy, responsável por uma subestação de bombeamento de gás, ocupa 55% da área e seu remanejamento é um pré-requisito para qualquer intervenção. A empresa estima que esse processo levará quatro anos após a obtenção de um novo endereço pela Prefeitura, seguido por uma etapa de descontaminação do local.

A concessão do Maracanã, que se estende por mais 19 anos, confere ao Flamengo uma estabilidade de longo prazo, permitindo uma avaliação mais criteriosa do momento ideal para investir em um projeto de tamanha magnitude. A prioridade, neste momento, parece ser a maximização dos resultados financeiros obtidos com a gestão do estádio atual, garantindo recursos para o futebol e futuras oportunidades.

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Camila

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Comentado em 13/02/2026 18:40 Como torcedor gosto de transparencia; juros altos atrapalham, mas o planejamento mostra que o Flamengo quer sustento e futuro
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Comentado em 13/02/2026 17:00 A diretoria ta certo em priorizar o Maraca e lucrar para investir no time sem prejuizo
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Comentado em 13/02/2026 15:21 Vamos com calma a grana fala alto
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