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Técnicos Portugueses vs Argentinos: Quem Vence no Brasil?

Por Redação Flapress em 31/12/2025 08:40

O cenário do futebol brasileiro tem sido marcado por uma intensa presença de profissionais estrangeiros nos últimos anos. Ao observar o panorama atual, torna-se evidente que o intercâmbio cultural e tático se concentra, majoritariamente, em profissionais vindos de Portugal e da Argentina. Essa preferência das diretorias nacionais justifica-se pela tradição acadêmica dessas escolas e pela proximidade linguística. Contudo, quando o critério de avaliação são as taças erguidas, os lusitanos apresentam uma hegemonia notável sobre os vizinhos sul-americanos.

Historicamente, Flamengo e Palmeiras encontraram em Jorge Jesus e Abel Ferreira as figuras centrais de suas eras mais vitoriosas. Ambos os técnicos portugueses foram responsáveis por conquistas da CONMEBOL Libertadores e do Campeonato Brasileiro, demonstrando competência tanto em torneios de eliminatórias quanto na regularidade dos pontos corridos. Em contrapartida, nomes como o argentino Gabriel Milito, à frente do Atlético-MG, chegaram perto da glória, mas sucumbiram em momentos decisivos, como na recente perda da Copa do Brasil para o Flamengo , sob o comando do promissor Filipe Luís.

A atual temporada reforça essa tendência com Artur Jorge, que realiza um trabalho de excelência no Botafogo. O treinador português lidera a disputa pelo título nacional e surge como favorito na final continental em Buenos Aires. Caso confirme o favoritismo, ele poderá igualar o feito de Jorge Jesus ao conquistar a Libertadores e o Brasileirão no mesmo ano, apresentando um futebol que desperta admiração geral. Essa consistência coloca os técnicos lusos em um patamar de eficiência que os argentinos ainda buscam alcançar em solo brasileiro.

A Ascensão de Filipe Luís e o Legado de Jorge Jesus

A trajetória recente do Flamengo também serve de reflexo para a fragilidade de certas convicções sobre o técnico nacional. Tite, apontado por anos como a principal referência brasileira, não conseguiu extrair o potencial máximo do elenco rubro-negro, o mais qualificado da América do Sul. Sua passagem frustrante abriu espaço para Filipe Luís , que, em pouco tempo, resgatou conceitos fundamentais da era Jorge Jesus. O sucesso foi tão imediato que o novo comandante passou a ser chamado carinhosamente de "Filipe Jesus" por parte da torcida flamenguista.

O desempenho atual da equipe apresenta características de verticalidade e contundência que haviam desaparecido. Esse novo fôlego permitiu que atletas como Gabigol retomassem o protagonismo na reta final da temporada. O atacante, inclusive, foi enfático ao criticar a gestão anterior após a conquista da Copa do Brasil, afirmando que não era respeitado pelo ex-técnico. Enquanto isso, nomes como Fernando Diniz e Dorival Júnior, que chegaram à Seleção Brasileira após títulos importantes em clubes, não conseguiram manter o prestígio, alimentando o debate sobre a necessidade de um estrangeiro, como Pep Guardiola, no comando da equipe pentacampeã.

No São Paulo, o clima em relação a Luis Zubeldía é de incerteza. Embora a torcida aprecie sua postura vibrante à beira do gramado, os resultados em competições de mata-mata foram aquém do esperado. O argentino apostou suas fichas nas copas, mas acabou eliminado por Botafogo e Atlético-MG. Sem a garantia de um futebol convincente, sua continuidade para 2025 permanece sob avaliação, evidenciando a pressão constante sobre os treinadores argentinos que não conseguem converter o apoio popular em troféus de grande porte.

O Desempenho dos Treinadores Argentinos no Brasil

Outros clubes de expressão também experimentaram oscilações com profissionais da Argentina. O Internacional optou pela demissão de Eduardo Coudet para apostar em Roger Machado, que obteve uma recuperação impressionante no Campeonato Brasileiro. Já o experiente Ramón Díaz, apesar de ter cumprido missões de salvamento no Vasco e no Corinthians, falhou em momentos cruciais de semifinais nesta temporada, acumulando mais um ano sem títulos expressivos no Brasil ao lado de sua comissão técnica.

Atualmente, Juan Pablo Vojvoda é o argentino de maior sucesso e longevidade no país, embora ainda falte um título de primeira grandeza nacional ou internacional em sua galeria pelo Fortaleza. Outros casos mostram resultados ainda mais modestos: Nicolás Larcamón não se firmou no Cruzeiro, e Lucho González enfrenta dificuldades no Athletico-PR. Abaixo, apresentamos um panorama comparativo das trajetórias recentes:

Treinador Clube Situação / Resultado
Artur Jorge (POR) Botafogo Finalista da Libertadores e líder do Brasileiro
Abel Ferreira (POR) Palmeiras Multicampeão e na briga pelo título nacional
Gabriel Milito (ARG) Atlético-MG Vice-campeão da Copa do Brasil e finalista da Libertadores
Luis Zubeldía (ARG) São Paulo Eliminado nas quartas das copas
Vojvoda (ARG) Fortaleza Trabalho estável, mas sem títulos nacionais

Projetos Sólidos e a Globalização do Esporte

É importante ressaltar que a nacionalidade, por si só, não garante o êxito. O próprio Flamengo é prova disso, tendo acumulado decepções com o argentino Jorge Sampaoli, os portugueses Paulo Sousa e Vítor Pereira, além do espanhol Domènec Torrent. O insucesso de nomes como Pedro Caixinha no Red Bull Bragantino e Petit no Cuiabá em 2024 demonstra que a competência individual e a adaptação ao projeto do clube são variáveis determinantes para a permanência no cargo.

A vantagem dos portugueses pode residir na escolha criteriosa de seus destinos. Profissionais como Abel Ferreira, que já soma quatro anos no Palmeiras, optaram por clubes com gestões financeiras saudáveis e elencos competitivos. Essa estabilidade permite que o trabalho se desenvolva plenamente, algo raro no imediatismo do futebol sul-americano. Com o fortalecimento econômico dos clubes brasileiros, a tendência é que a importação de técnicos estrangeiros se intensifique, consolidando um domínio que, entre 2019 e 2024, resultará em quatro títulos nacionais para os lusos contra apenas dois para os brasileiros.

O futuro aponta para uma integração ainda maior com o mercado global. O primeiro Super Mundial da Fifa contará com a presença de Abel Ferreira e, possivelmente, Filipe Luís e Artur Jorge ou Gabriel Milito. O sucesso de profissionais que se preparam adequadamente, independentemente da origem, eleva o nível do produto nacional. A globalização do esporte permite que o triunfo de um jovem técnico brasileiro como Filipe Luís ecoe na Europa, da mesma forma que as conquistas dos europeus aqui são acompanhadas de perto em seus países de origem.

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Comentado em 31/12/2025 10:20 Abel é brabo, vamos com tudo no peso da Libertadores
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