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Sócrates no Flamengo: O craque que brilhou no Corinthians e teve passagem discreta pelo Mengão

Por Redação Flapress em 01/02/2026 08:10

A rivalidade entre Flamengo e Corinthians, que se intensifica neste domingo com a disputa pela Supercopa Rei, é marcada por uma história rica e, por vezes, pela troca de jogadores entre os clubes. Nomes como Adriano, Marcelinho Carioca, Renato Abreu, Fábio Luciano, Gamarra, Edilson Capetinha e Liedson são apenas alguns exemplos de atletas que defenderam as cores de ambas as equipes. No entanto, um fato pouco lembrado é a passagem de um dos maiores ídolos corintianos pelo clube rubro-negro, uma experiência que, para muitos, não atingiu as expectativas.

Em votações que reuniram jornalistas especializados e a própria torcida, Sócrates foi coroado como o maior ídolo da história do Corinthians. Sua trajetória pelo clube paulista, de 1978 a 1984, foi espetacular, somando 298 partidas, 172 gols e a conquista de três Campeonatos Paulistas. Além de seu talento em campo, Sócrates se destacou como o principal expoente da "Democracia Corinthiana", um movimento político e social que marcou época no futebol brasileiro.

A Chegada do "Doutor" à Gávea

Em setembro de 1985, um ano após sua saída do Corinthians rumo à Fiorentina, na Itália, o Flamengo buscou o craque por empréstimo. A diretoria rubro-negra desembolsou US$ 100 mil (aproximadamente Cr$ 800 milhões na época) para contar com o jogador, apostando na formação de uma dupla de ataque avassaladora com Zico. A expectativa era tamanha que o Galinho de Quintino chegou a ir ao aeroporto recepcionar o novo companheiro, um momento que gerou grande euforia.

O radialista Eraldo Leite, da Rádio Tupi, descreveu a magnitude da expectativa com uma comparação impactante: "Era Messi e Cristiano Ronaldo hoje no mesmo time". Essa declaração resume o fervor em torno da possibilidade de ver dois dos maiores craques brasileiros da época atuando juntos.

O Sonho da Dupla Zico-Sócrates e a Realidade das Lesões

Apesar do enorme potencial no papel, a badalada dupla Zico-Sócrates jamais conseguiu se consolidar em campo, e as razões para isso foram, em grande parte, alheias à vontade dos jogadores. Logo nos primeiros treinos na Gávea, Sócrates sofreu uma fratura no tornozelo esquerdo, um incidente que o afastou dos gramados por 75 dias, além do tempo necessário para o recondicionamento físico.

Sebastião Lazaroni, que na época era preparador físico e assistente técnico do Flamengo , relembrou o ocorrido com pesar: "No segundo treino, eu estava apitando, e ele recuando, parece que torce o tornozelo, cai e tem uma fratura. Isso era desesperador, um fato raríssimo, não houve choque. Infelizmente essa lesão afastou um pouquinho ele do grupo. Viva em tratamento, fisioterapia e muitas vezes em São Paulo".

Uma Estreia Tardía e uma Dupla Efêmera

Sócrates só conseguiu fazer sua estreia oficial com a camisa rubro-negra em 1986. Sua participação ao lado de Zico foi limitada a apenas três jogos: dois amistosos, contra o Al Riffa do Bahrein e a seleção do Iraque, e uma partida contra o Fluminense pela Taça Guanabara. O clássico contra o Tricolor, realizado em 16 de fevereiro de 1986, com um Maracanã lotado por 84 mil torcedores e a vitória do Flamengo por 4 a 1, com direito a hat-trick de Zico, marcou a única vez que a dupla atuou junta em uma partida oficial pelo clube.

Eraldo Leite explicou o desenrolar dos acontecimentos: "No jogo seguinte eles já tinham saído para servir a Seleção. E quando o Sócrates voltou, teve um problema de coluna e não jogou mais com o Zico porque ele voltou da Copa e foi de novo para uma cirurgia do joelho". Essa sequência de eventos impediu que a esperada parceria se desenvolvesse plenamente.

Números e o Legado Decepcionante

Sócrates retornou aos gramados pelo Flamengo em novembro de 1986 e, a partir daí, engatou uma sequência de partidas. Contudo, sua performance nunca chegou a ser uma sombra do ídolo que foi no Corinthians. Ao todo, foram apenas 20 jogos e cinco gols vestindo a camisa rubro-negra. Enquanto Zico ficou um ano afastado devido a lesões e retornou em junho de 1987, pouco tempo antes de Sócrates deixar o clube.

Bebeto, que integrava o elenco rubro-negro na época, lamenta até hoje a oportunidade perdida: "Foi isso, não coincidiu, cara. Se eles jogam juntos, já era". A passagem de Sócrates pelo Flamengo , marcada por poucas aparições e a frustração de uma dupla que nunca se concretizou, permanece como um capítulo peculiar na história de ambos os clubes.

Flamengo e Corinthians se enfrentarão neste domingo, às 16h (de Brasília), no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, para decidir o título da Supercopa Rei. Em caso de igualdade no placar, a decisão será definida através de cobranças de pênaltis.

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