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Lucas Paquetá: As Origens e o Retorno Emocionante ao Flamengo
Por Redação Flapress em 04/02/2026 00:10
O nome Lucas Paquetá ecoa nos corações flamenguistas. O jogador, que recentemente retornou ao Rio de Janeiro, tem suas origens fincadas em uma ilha que inspira seu próprio apelido e que se encontra a aproximadamente uma hora de travessia de barca do centro da cidade. O ge embarcou nessa jornada até a Ilha de Paquetá para desvendar as raízes do atleta que se tornou o reforço de maior valor na história do clube.
A Ilha que Moldou um Craque
A Ilha de Paquetá, um nome com sonoridade Tupi, repousa na Baía de Guanabara e abriga uma comunidade de menos de quatro mil habitantes. Reconhecida como um dos cartões postais do Rio de Janeiro, a ilha foi também o palco dos primeiros ganhos de Lucas, que, ainda criança, atuava como guia turístico informal para juntar dinheiro e adquirir brinquedos. Essa vivência precoce com os visitantes e a rica história local moldaram sua relação com o lugar.
?Todos nós, na infância, fazemos uma ajuda ao turista para explicar a história de lugares como Pedra da Moreninha e Cemitério de Passarinhos. O Lucas fazia isso em troca de um dinheirinho para comprar pipa, bola de gude, na base da brincadeira. Ele conhece muito bem a ilha?, compartilhou Beto Alves, um guia local que acompanhou a equipe de reportagem pela ilha.
?Com o Maraca lotado, ele faz um gol, a galera grita Paquetá... Eu já peguei muitos turistas que, no dia seguinte a um jogo, vieram aqui porque escutaram falar sobre Paquetá no estádio. Só de ele levar o nome do lugar como apelido já ajuda?, completou Alves, ressaltando o impacto do jogador na identidade da ilha.
Paquetá: Um Recanto de Memórias e o Início de um Sonho
Ao caminhar pela ilha, que hoje substituiu as charretes tradicionais por veículos elétricos, é possível avistar os cenários que marcaram a infância de Lucas: as Ilhas de Brocoió e de Pancaraíba, a Ponte da Saudade, o Parque Darke de Mattos e a icônica Pedra da Moreninha. Esses locais não são apenas pontos turísticos, mas fragmentos da história de um menino que se tornaria um ícone do futebol.
O retorno de Paquetá ao Rio de Janeiro foi celebrado com a expectativa de sua reestreia pelo Flamengo no Maracanã. Embora não tenha iniciado como titular no confronto contra o Inter pelo Campeonato Brasileiro, sua volta aos gramados rubro-negros, na derrota para o Corinthians pela Supercopa do Brasil, já representou um momento significativo para o atleta e para a torcida.
O Atleta de Paquetá: Do Apelido à Realidade
Lucas Tolentino Coelho de Lima nasceu em 1997 na própria ilha. O apelido ?Paquetá? surgiu nas categorias de base do Flamengo , quando o jovem compartilhou com os colegas de onde vinha. Longe de rejeitar a alcunha, ele a abraçou, orgulhoso de carregar consigo o nome do lugar que lhe trouxe tantas alegrias.
A rotina de Lucas era árdua: todos os dias, ele enfrentava o trajeto de barca, de ida e volta, para treinar no Flamengo . Enquanto seu irmão mais velho, Matheus, treinava pela manhã no Ninho do Urubu, o treino de Lucas ocorria à noite, na Gávea. O avô, Seu Altamiro, carinhosamente conhecido como "Mirão", era o pilar que sustentava essa jornada, utilizando a barca e quatro ônibus para garantir que os irmãos pudessem seguir seus sonhos futebolísticos.
?Altamiro ia com eles na barca de 5h30, tinha muita paciência com o Lucas. E quando ele faz gol e aponta para o céu, tenho certeza que é para o avô dele?, relembrou Marilene, moradora da ilha, emocionada com a dedicação do avô.
As Raízes do Talento: Lembranças da Infância em Paquetá
É comum encontrar na ilha moradores que testemunharam o crescimento de Lucas pelas ruas de terra. Lugares como as traves na praia da Moreninha, usadas para os treinos físicos na areia, e o campo do Municipal, onde o meia deu seus primeiros passos no futebol, guardam memórias vívidas de seus primórdios. O incentivo do avô foi fundamental nesse processo.
?Cresci com o Lucas e o irmão dele, o Matheus. Jogamos juntos no campeonato de Paquetá e somos amigos. Ele era diferenciado desde moleque, estava sempre brilhando. Falo com ele ainda hoje, com o irmão, o pai... Dá para ver no brilho do olhar dele que ele está muito feliz. Tenho muito orgulho dele e fico feliz de ver um amigo voltar para casa. Ele é referência para a gente de perseverança?, comentou Leandro Capetine, amigo de infância de Paquetá.
A casa onde Lucas cresceu, na rua Adelaíde Alambari, permanece com as mesmas características. A poucos passos dali, encontra-se a residência da professora Marli, que auxiliou nos primeiros anos de alfabetização do jogador. Sua contribuição e a dedicação do avô foram cruciais para o desenvolvimento de Lucas.
?Aos 4 anos e meio ele já foi alfabetizado. Era um menino muito colaborador e comportado. Eu tinha uma filha com deficiência, e ele ajudava a empurrar a cadeira de rodas. Eles foram muito amigos. Foi uma história muito linda, com o avô fazendo tudo por ele, era o avô quem combinava comigo os horários das aulas, e Lucas era super dedicado, uma pessoa do bem. Hoje, está recebendo os frutos do que ele foi?, comentou a professora Marli.
O Retorno ao Lar: Um Novo Capítulo para Paquetá
Lucas e seus pais deixaram a ilha quando ele tinha 11 anos, mudando-se para a zona oeste do Rio para facilitar o acesso ao centro de treinamento do clube. Atualmente, os moradores de Paquetá celebram o retorno de seu conterrâneo ao Flamengo , enxergando nele um motivo de orgulho e esperança.
?Uma alegria para a gente ver um filho de Paquetá voltar para o Flamengo . Como ele falou, ele agradece ao Flamengo , e a gente agradece a ele por ter voltado. Vai dar um final muito feliz, vamos ser campeões de tudo?, profetizou César, membro da "Flaquetá", uma organizada de torcedores do Flamengo na ilha.
Um Sombra no Caminho: As Acusações de Apostas
Em 2024, a ilha de Paquetá esteve envolvida em um escândalo de apostas que repercutiu mundialmente. Uma investigação apontou que dezenas de moradores teriam apostado em cartões amarelos que Lucas Paquetá receberia em partidas da Premier League, enquanto ele atuava pelo West Ham, na Inglaterra. A suspeita recaía sobre o recebimento de forma proposital dos cartões, o que poderia acarretar severas punições ao jogador, incluindo suspensão do futebol.
Mesmo após ser absolvido das acusações, o processo investigativo impactou significativamente a saúde mental de Lucas Paquetá. A tensão vivida durante meses até a absolvição, um ano depois, o deixou abalado. Essa experiência o levou a buscar o Flamengo seis meses após o julgamento, manifestando o desejo de retornar ao clube que o formou, visando recuperar a alegria de jogar futebol em um ambiente familiar.
?Talvez o Flamengo não precisasse de mim, mas eu precisava do Flamengo ?, declarou o jogador em sua chegada ao Rio de Janeiro, evidenciando a importância do clube em sua jornada de recuperação.
Reconectando com as Raízes: O Futuro em Casa
Superada a turbulência, Lucas está agora a menos de uma hora de distância de Paquetá. Ele se tornou uma inspiração para as crianças da ilha, que exibem com orgulho as fotos tiradas com o jogador em suas últimas visitas. O meia tem a oportunidade de fortalecer os laços com seu passado e reviver a paixão pelo esporte em sua terra natal. Na visita do ge, a comunidade de Paquetá expressou seu clamor pelo retorno do filho que carrega o nome da ilha em sua trajetória.
?Uma moradora de Paquetá exibe foto com Lucas?, registrou a reportagem, demonstrando o carinho e a admiração da comunidade. Em outra imagem, ?Lucas Paquetá com crianças da ilha?, o atleta interage com a nova geração, perpetuando o legado de perseverança e talento.
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