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Jorge Jesus lamenta saída do Flamengo e revela motivos da sua partida

Por Redação Flapress em 11/03/2026 09:40

Apesar de ter deixado o comando do Flamengo há mais de seis anos, o nome de Jorge Jesus ainda ressoa com força entre os torcedores rubro-negros, evocando memórias de um período de glórias. Essa ligação transcende as fronteiras do Brasil, mantendo-se viva em Portugal. Atualmente dirigindo o Al Nassr, na Arábia Saudita, o treinador compartilhou em sua coluna semanal para o jornal Record suas recordações da época em que comandou o time na "Cidade Maravilhosa".

Em sua análise, Jesus destacou a magnitude do clube carioca: "O maior clube que eu treinei foi o Flamengo . Segundo estudos, só o Barcelona supera a 'Nação rubro-negra' em número de torcedores. Mas com a grandeza vem a exigência, por vezes sufocante, dada a disputa com o Palmeiras, pelo troféu de 'clube mais vencedor do Brasil'".

O Elenco que Marcou Época

O técnico português fez questão de enaltecer o grupo de jogadores que conquistou o Brasileirão, a Libertadores e o Carioca em 2019, descrevendo a interação com eles: "Foi o grupo que mais se interessou e se preocupou comigo. Se interessavam em saber o porquê dos exercícios e das conversas com alguns durante o treino. E eu ficava no gramado a explicar tudo, no final".

Os números de Jorge Jesus no comando do Flamengo são expressivos, ostentando o melhor aproveitamento do clube no século XXI, com 81,6%. Sua passagem foi marcada por 44 vitórias, 10 empates e apenas quatro derrotas, resultando na conquista de cinco títulos importantes: o Campeonato Carioca, o Brasileirão, a Copa Libertadores da América, a Supercopa do Brasil e a Recopa Sul-Americana.

A Pandemia e o Fim de um Ciclo

O treinador revisitou a temporada histórica à frente do Mengão e explicou que sua partida não foi uma decisão pessoal, mas sim uma consequência de fatores externos. De acordo com Jesus, a pandemia da Covid-19 desempenhou um papel crucial em sua saída.

"Por isso não teria saído daquela cidade maravilhosa se não fosse a Covid-19. O meu primeiro teste deu positivo e o segundo deu inconclusivo. Por precaução fui trancado no apartamento, sozinho", relatou o técnico, descrevendo o isolamento vivido.

Ele detalhou a experiência durante o período de incerteza sanitária: "Os médicos me visitavam vestidos com roupas anti contágio e os funcionários do clube deixavam a comida na minha porta. Tocavam e fugiam antes de eu abrir. Sentia-me numa prisão. Via as notícias, e no Brasil a Covid parecia sentença de morte".

O receio pela própria vida e o desejo de estar mais perto de sua terra natal impulsionaram o treinador a retornar a Portugal para assumir o comando do Benfica. Em suas próprias palavras, a trajetória no clube carioca poderia ter continuado se a crise sanitária não tivesse se instalado. "Então decidi, se era para morrer, que fosse em Portugal. E vim embora. Sem a pandemia, se calhar hoje ainda estaria no Flamengo . Entre julho de 2019 e abril de 2020 ganhámos cinco troféus e só perdemos quatro jogos", pontuou o treinador.

Um Legado de Instabilidade no Comando

Desde a despedida de Jorge Jesus, o Flamengo tem vivenciado uma significativa rotatividade de treinadores. Dez nomes distintos assumiram o comando da equipe principal em um curto período, incluindo Domenec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho, Paulo Sousa, Dorival Júnior, Vitor Pereira, Jorge Sampaoli, Tite, Filipe Luís e, mais recentemente, Leonardo Jardim.

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