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Jorge Jesus explica saída do Flamengo: "Sem a pandemia, estaria até hoje"

Por Redação Flapress em 11/03/2026 00:00

Mesmo após mais de seis anos de sua saída, o nome de Jorge Jesus segue ecoando fortemente entre os torcedores do Flamengo, evocando memórias e sentimentos intensos. Essa ligação transcende as fronteiras do Brasil, mantendo-se viva também em Portugal, onde o treinador concede entrevistas e escreve semanalmente para o jornal Record. Em sua mais recente publicação, o comandante do Al Nassr, da Arábia Saudita, dedicou sua coluna a rememorar o período marcante que viveu na "Cidade Maravilhosa".

Jesus não hesitou em afirmar a magnitude do clube carioca em sua carreira. "O maior clube que eu treinei foi o Flamengo ", declarou. Ele ressaltou a impressionante base de fãs do Rubro-Negro, comparando-a globalmente. "Segundo estudos, só o Barcelona supera a 'Nação rubro-negra' em número de torcedores", escreveu. Contudo, o técnico também pontuou a dualidade da grandeza, que vem acompanhada de uma pressão considerável. "Mas com a grandeza vem a exigência, por vezes sufocante, dada a disputa com o Palmeiras, pelo troféu de 'clube mais vencedor do Brasil'", complementou.

O Elenco de 2019 e a Conexão com os Jogadores

O treinador português fez questão de destacar o engajamento e a curiosidade demonstrada pelos jogadores do Flamengo durante sua passagem. "Foi o grupo que mais se interessou e se preocupou comigo. Se interessavam em saber o porquê dos exercícios e das conversas com alguns durante o treino. E eu ficava no gramado a explicar tudo, no final", relatou, evocando o memorável elenco de 2019, que conquistou o Campeonato Brasileiro, a Copa Libertadores e o Campeonato Carioca.

A performance de Jorge Jesus à frente do Flamengo é notável, ostentando o melhor aproveitamento do clube no século XXI, com 81,6%. Sua gestão foi marcada por 44 vitórias, 10 empates e apenas quatro derrotas, culminando na conquista de cinco títulos expressivos: o Cariocão, o Brasileirão, a Libertadores, a Supercopa do Brasil e a Recopa Sul-Americana.

A Pandemia como Divisor de Águas

Ao abordar sua saída do clube, Jorge Jesus foi enfático ao atribuir a decisão a fatores externos, e não a um desejo próprio de deixar o cargo. A pandemia da Covid-19 foi apontada como o elemento decisivo. "Por isso não teria saído daquela cidade maravilhosa se não fosse a Covid-19", afirmou categoricamente.

O treinador descreveu o impacto inicial da doença em sua rotina. "O meu primeiro teste deu positivo e o segundo deu inconclusivo. Por precaução fui trancado no apartamento, sozinho", relatou. A experiência foi marcada pela solidão e pelo medo, intensificado pela percepção da gravidade da doença no Brasil. "Os médicos me visitavam vestidos com roupas anti contágio e os funcionários do clube deixavam a comida na minha porta. Tocavam e fugiam antes de eu abrir. Sentia-me numa prisão. Via as notícias, e no Brasil a Covid parecia sentença de morte", completou.

O Retorno a Portugal e as Consequências

O receio pela própria vida e a necessidade de estar perto de sua terra natal foram os principais motivadores para o retorno de Jesus a Portugal, onde posteriormente assumiu o comando do Benfica. Ele reiterou que, sem a crise sanitária, sua trajetória no Rio de Janeiro poderia ter seguido um curso completamente diferente. "Então decidi, se era para morrer, que fosse em Portugal. E vim embora. Sem a pandemia, se calhar hoje ainda estaria no Flamengo . Entre julho de 2019 e abril de 2020 ganhámos cinco troféus e só perdemos quatro jogos", detalhou o treinador.

Desde a saída de Jorge Jesus, o Flamengo vivenciou um período de considerável instabilidade no comando técnico. Dez treinadores diferentes assumiram a equipe principal, incluindo nomes como Domenec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho, Paulo Sousa, Dorival Júnior, Vitor Pereira, Jorge Sampaoli, Tite, Filipe Luís e, mais recentemente, Leonardo Jardim.

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