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Jardim e Tite: Pausas na carreira e o desafio no Flamengo

Por Redação Flapress em 11/03/2026 05:50

O embate entre Flamengo e Cruzeiro, agendado para hoje às 21h30 no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, coloca frente a frente dois comandantes com histórias recentes de interrupções voluntárias em suas carreiras: Leonardo Jardim e Tite. Ambos, em momentos distintos, optaram por um período de recesso antes de assumir o comando do Rubro-Negro, um reflexo de suas vivências e planos pessoais.

Tite, após uma longa e desgastante jornada de seis anos à frente da Seleção Brasileira, culminada com a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, decidiu por uma pausa estratégica. O objetivo principal era dedicar-se à família e recuperar o fôlego emocional, distanciando-se dos holofotes e de compromissos profissionais em 2023. Embora houvesse um anseio por uma experiência na Europa, sondagens não se converteram em propostas concretas. O convite do Flamengo , contudo, apresentou um projeto esportivo atrativo, com a promessa de disputa por títulos, uma estrutura de ponta no Ninho do Urubu e condições financeiras favoráveis, o que o levou a antecipar seu retorno ao futebol em outubro de 2023.

Tite: O Retorno ao Cotidiano de Clube

Em sua apresentação, Tite destacou a importância de estar imerso no dia a dia do clube para conhecer o elenco e iniciar os trabalhos de forma integral. Ele expressou sua percepção sobre a magnitude do Flamengo e a convergência com seus objetivos profissionais, afirmando: "Para o projeto de 2024 era importante conhecer todos os atletas e estar trabalhando agora. Foi esse ajuste que aconteceu dentro do projeto inicial. Foi uma percepção da grandeza do Flamengo e do meu objetivo particular de trabalho."

Contudo, a transição para a rotina intensa de um clube como o Flamengo apresentou seus próprios desafios. Fontes que trabalharam com o treinador no Rubro-Negro relataram que, apesar de manter um bom relacionamento com todos, Tite pareceu ter dificuldades em se readaptar ao ritmo de treinos diários, jogos frequentes, viagens e a pressão constante da mídia e da torcida. Houve a percepção de que algumas metodologias da Seleção Brasileira não se encaixavam com a dinâmica do clube, culminando em um desgaste mental visível. O título carioca de 2024 foi o único troféu conquistado por ele durante este período.

"Posso te dizer que não via o Tite muito pronto para voltar ao dia a dia de clube quando ele chegou no Flamengo . Acho que ele tomou um choque com isso, com essa pegada. Eu achava até que ele não fosse voltar para o futebol no Brasil", confidenciou uma das fontes. Tite foi desligado do Flamengo em setembro de 2024, iniciando um novo período sabático, que se estendeu por 14 meses antes de aceitar a proposta do Cruzeiro em dezembro de 2025.

Leonardo Jardim: A Surpresa e a Conquista Rápida

Por outro lado, Leonardo Jardim completa apenas uma semana à frente do Flamengo , mas já ostenta o título do Campeonato Carioca, conquistado nos pênaltis contra o Fluminense no último domingo. Sua trajetória recente é marcada por um trabalho sólido no Cruzeiro em 2023, onde o time mineiro alcançou o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro e chegou à semifinal da Copa do Brasil. Surpreendentemente, Jardim optou por rescindir seu contrato com o clube celeste em dezembro, que se estenderia até 2026, para lidar com questões pessoais.

Em uma despedida emotiva, o técnico português havia manifestado seu compromisso de trabalhar exclusivamente no Cruzeiro enquanto estivesse no Brasil. No entanto, o Flamengo , diante da incerteza na renovação com Filipe Luís, o sondou. Inicialmente, Jardim recusou, mas a possibilidade de comandar o atual campeão brasileiro e da Libertadores o fez reconsiderar. Uma nova abordagem do Rubro-Negro selou o acerto, culminando na demissão de Filipe Luís e no anúncio de Jardim, um movimento que gerou descontentamento entre os torcedores cruzeirenses pela aparente quebra de palavra.

Em sua apresentação, Jardim admitiu ter sido "ingênuo" na situação. Ele explicou: "Falei o que foi sentido. Me sentia bem em BH, acreditava num projeto a médio e longo prazo, mas a vida nos cria surpresas, tive problemas na ordem familiar e pessoal que eu tinha que resolver. Ao mesmo tempo existia dentro da estrutura algumas ideias diferentes do que eu acreditava, por isso acabou por se encerrar mais cedo o capítulo Cruzeiro. Fui emotivo porque acreditava que o projeto seria a longo prazo, mas também fui ingênuo, uma coisa que não costumo ser porque sou muito pragmático, mas às vezes a emoção nos leva a ter algumas tiradas infelizes."

Jardim também negou ter traído o Cruzeiro, enfatizando sua relação com o proprietário da SAF celeste, Pedro Lourenço. "A relação, a amizade, o carinho, nada mudou. 'Ah, tu traíste o Cruzeiro'. Não. É só falar com o presidente, ele é meu amigo, torcedor e dono do clube. Eu sempre joguei com as coisas em cima da mesa. É só perguntar a ele. No Brasil, toda gente dá opinião, fala. O carinho é o mesmo, a amizade é a mesma, muitas pessoas me mandaram mensagem felicitando sobre a volta ao Brasil. Em termos competitivos, claro que eu quero ganhar a 200%."

Desafios e Expectativas no Rubro-Negro

Apesar das diferentes circunstâncias que os trouxeram ao Flamengo , ambos os técnicos enfrentam um ambiente de alta exigência. Tite, ao que tudo indica, sentiu o peso da pressão e da rotina intensa de um clube de massa. Já Jardim, com sua conquista imediata, busca consolidar seu trabalho e corresponder às expectativas de uma torcida ávida por mais títulos.

Sobre o reencontro com seu ex-clube, Jardim tratou o assunto com profissionalismo: "Vai ser uma preparação normal, amanhã já temos que recuperar nossos jogadores e depois conseguir, em termos estratégicos, preparar uma equipe competitiva, que possa controlar o jogo na nossa casa. Do outro lado tem uma excelente equipe, no ano passado conseguiu bons resultados com o Flamengo e espero mudar isso."

Por sua vez, Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro, comentou a saída de Jardim de forma peculiar: "O Jardim tinha contrato. E ele falou comigo que não ia ser mais técnico, que queria ser gestor e me pediu para tirar a multa do contrato. E eu, pelo bom trabalho, tirei. E ele chegou e falou: 'Ó, não vou ficar mais, vou embora que tenho que ficar dois meses lá para resolver problemas pessoais'. E assim foi. Eu sempre falo que, no futebol, tenho que fazer curso, porque é difícil para mim, as verdades não duram 24 horas. Então é meio complicado."

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