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Flamengo Lidera Ofensiva Contra SAFs e Influencia Eleições Brasileiras

Por Redação Flapress em 03/02/2026 05:50

Em uma movimentação estratégica que transcende as quatro linhas, o Clube de Regatas do Flamengo decidiu não se omitir do cenário político nacional. O Rubro-Negro encabeça agora uma iniciativa com o objetivo claro de moldar o debate no Congresso Nacional em favor dos modelos de clubes associativos e em oposição às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). A mobilização é tão intensa que as próprias eleições brasileiras deste ano foram inseridas na pauta.

Durante a coletiva de imprensa destinada à apresentação oficial do reforço Lucas Paquetá, a diretoria do Flamengo distribuiu aos jornalistas um panfleto detalhando o movimento recém-criado, batizado de "Amigo do Esporte". A iniciativa demonstra a seriedade com que o clube aborda a defesa de seus interesses.

A Liderança de Bap e a Defesa dos Clubes Associativos

A figura central e idealizador deste movimento é o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap. Sua dedicação ao tema é palpável, a ponto de ele ter comparecido à coletiva de imprensa especificamente para discutir a iniciativa e ter ordenado que adesivos do movimento fossem afixados no backdrop da entrevista, reforçando a mensagem.

As principais preocupações do Flamengo residem em pontos específicos da Reforma Tributária. O clube critica veementemente a proposta que visa o fim das isenções fiscais para associações sem fins lucrativos e o consequente aumento significativo da carga tributária sobre as receitas esportivas. Além disso, há também reivindicações contrárias a itens da recém-proposta PL Anti-Facção.

Disparidade Tributária e o Impacto nas Modalidades Olímpicas

Segundo dados apresentados pelo Flamengo , os clubes associativos enfrentam uma tributação de 11%, enquanto as SAFs gozam de uma alíquota de apenas 6%. O clube argumenta que essa disparidade é fundamentalmente injusta, uma vez que as associações mantêm compromissos sociais importantes, como a formação de atletas, algo que, segundo o Flamengo , não é uma obrigação para as SAFs.

Bap enfatiza que as consequências diretas dessas mudanças tributárias já são sentidas nas modalidades olímpicas. O presidente do Flamengo aponta o corte de custos como um reflexo imediato, citando como exemplos recentes a não renovação de contratos de atletas de ponta como Isaquias Queiroz (canoagem) e Rafaela Silva (judô), além do encerramento das atividades no remo paralímpico.

"Quando vem a mudança, fala-se da SAF e fala dos clubes. Quando você diz que eles são iguais, você está implicitamente dizendo: 'olha, o clube social que não pagava A, B e C por uma questão de isenção, agora eu vou vetar isso'. Na hora que ele veta, qual é a consequência? Uma SAF vai pagar 6% de imposto e um clube socioesportivo, sem fins lucrativos, vai pagar 11%. Qual é a vantagem de ser um clube socioesportivo? Então, a melhor decisão é a seguinte: vira todo mundo SAF, não bota um centavo em esporte olímpico, não subsidia absolutamente nada, não trabalha com formação. São 10, 12 anos de educação, alimentação, saúde, cuidados psicológicos... Isso vem desses estímulos. Se você retira os estímulos e não tem obrigação, como é o caso das SAFs, matematicamente qual é a melhor alternativa? Vira SAF, paga 6% de imposto e 'se livra', vamos dizer assim, de ter que cuidar, no nosso caso, de mais de 10.100 garotos durante 10, 12 anos da vida deles."

Ações em Brasília e a Busca por Apoio Político

A atuação de Bap não se limitou aos muros do Ninho do Urubu. O presidente do Flamengo esteve em Brasília no sábado anterior à Supercopa Rei, não apenas para acompanhar a decisão de seu time, mas também para avançar na missão do movimento "Amigo do Esporte".

Na capital federal, Bap se reuniu com figuras importantes do cenário político, incluindo o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e outros senadores. O objetivo foi apresentar as propostas do movimento e angariar apoio político para as causas defendidas pelo clube.

"Fizemos uma apresentação de 20 minutos para vários políticos, inclusive o presidente do Congresso Nacional. O Flamengo , hoje, assume um investimento adicional de R$ 46 milhões. É bastante dinheiro para quem acha que nós temos muitos incentivos. Recebemos R$ 24 milhões de incentivos e temos um déficit de R$ 46 milhões do que arrecadamos. O Flamengo não vai pagar daqui a seis anos R$ 200 milhões, R$ 230 milhões por ano de imposto para poder estar nessa situação. É uma escolha muito simples. Você faz a escolha, paga muito menos e continua tentando investir em atletas como Paquetá."

O Papel das Eleições e a Conscientização do Eleitor

Em declarações anteriores, Bap já havia feito um pronunciamento mais direto sobre a relevância das eleições presidenciais, que ocorrerão em outubro, definindo novos rumos para presidente da República, senadores, deputados federais, deputados estaduais e governadores.

"Nós estamos lançando essa campanha Amigo do Esporte. Esse é ano eleitoral no Brasil. Você (telespectador) que é um amante de esporte, procure se informar sobre seus candidatos, Nós vamos ter os candidatos que apoiam os esportes e são amigos do esporte. Candidato amigo do esporte vai fazer o esporte cada vez mais forte no Brasil."

Quando questionado pelo UOL sobre quais seriam os candidatos apoiados pelo clube, o Flamengo optou por não revelar nomes específicos, mantendo um posicionamento estratégico em relação à sua lista de preferências.

Propostas Detalhadas do Movimento "Amigo do Esporte"

O movimento "Amigo do Esporte" apresentou um plano de ação com objetivos claros e prazos definidos:

Reforma Tributária

  • Curto Prazo: Derrubar o veto presidencial para garantir a igualdade imediata com as SAFs e restabelecer as isenções fiscais vetadas, incluindo a de importação de equipamentos ou materiais esportivos.
  • Médio Prazo: Estabelecer uma diferenciação clara entre o Clube Associativo Brasileiro sem fins lucrativos e as SAFs, buscando uma alíquota reduzida ou zerada para os clubes.

PL Anti-Facção - Setor de Apostas

  • Curto Prazo: No retorno do PL Anti-facção à Câmara dos Deputados, trabalhar para derrubar as emendas que propõem a criação da CIDE Bets (um imposto de 15% direto no depósito dos clientes) e a imposição de um imposto retroativo obrigatório com implicações criminais. O clube argumenta que tais medidas "colocam em risco a sobrevivência do setor regulado no Brasil, que tem investido no esporte nacional, e fortalecem organizações criminosas em uma proposta que visa justamente a combatê-las".
  • Médio Prazo: Articular o apensamento ao PL 2985/2023, que já foi aprovado no Senado e contém um dispositivo que protege o patrocínio máster.

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