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Flamengo e Kaio Jorge: Por que o clube insiste em oferta milionária
Por Redação Flapress em 05/01/2026 10:50
As recentes movimentações do Flamengo no mercado de transferências revelam cifras que fogem à normalidade do cenário nacional. A tentativa de repatriar Kaio Jorge, atualmente no Cruzeiro, envolveu valores que ultrapassam a marca dos 30 milhões de euros, incluindo a cessão de Everton Cebolinha na transação. Para o jornalista Mauro Cezar Pereira, essa queda de braço financeira entre os clubes mineiro e carioca ilustra um embate que transcende a necessidade técnica.
De acordo com o comentarista, a recusa do Cruzeiro diante de uma oferta tão vultosa e a insistência do Rubro-Negro em patamares financeiros elevados sugerem um cenário de disputa de egos entre as gestões. A análise aponta para uma desconexão com a realidade financeira praticada habitualmente no futebol brasileiro, onde propostas desse calibre raramente são ignoradas.
"E eu acho que tem muito também essa questão da vaidade. É muita vaidade, muita vaidade dos dois lados. Você vê que os números são exorbitantes pra quem oferece e pra quem recusa. E quem oferece, oferece, dane-se, e quem recusa, recusa e dane-se. Mas se você analisar friamente, pô, é muito complicado recusar uma proposta dessa. E o mais louco aí talvez seja oferecer tanto por um jogador, que é um ótimo jogador, ninguém está desmerecendo o Kaio Jorge, não. Estamos tentando analisar o que é a realidade do nosso mercado"
A estratégia institucional por trás do interesse em Kaio Jorge
Diferente do que parte da torcida imagina, a busca pelo atacante não é um capricho isolado do atual comandante. Embora Filipe Luís veja com bons olhos a chegada do reforço, a movimentação é, primordialmente, uma diretriz da cúpula flamenguista. Figuras como Bap e Boto são apontadas como os verdadeiros entusiastas da contratação, consolidando o nome do atleta como uma prioridade da instituição e não apenas uma demanda do campo.
Essa distinção é fundamental para compreender como o Flamengo pretende gerir seu elenco daqui em diante. O objetivo é evitar que o clube fique refém de pedidos específicos de treinadores, que podem deixar o cargo e abandonar atletas que não se encaixam em futuras filosofias de jogo. Mauro Cezar enfatiza que Filipe Luís mantém uma postura profissional e equilibrada, sem exercer a pressão externa vista em gestões anteriores.
"Sobre o interesse do Kaio Jorge, não é um pedido expresso do técnico. É um desejo do Flamengo. Não é só o Filipe Luís, talvez seja mais o Bap e o Boto do que o Filipe Luís. Isso é importante frisar. Não é que o Filipe Luiz está no modo Sampaoli, contrata, contrata. É o caso do Allan quando o Flamengo contratou. Ele pediu o Allan 24 horas por dia até contratar. Não é o caso. O Filipe Luís, pelo que apurei, gosta da ideia de ter um jogador, evidentemente, mas é um desejo do clube."
O fantasma da negociação de Allan e as lições aprendidas
A diretoria rubro-negra parece ter aprendido com erros recentes, especificamente o caso do volante Allan. Na ocasião, a insistência desmedida de Jorge Sampaoli forçou um investimento alto em um jogador que, após a saída do técnico, não entregou o retorno esperado. O histórico de lesões e a consequente desvalorização de mercado do volante servem como um alerta para a atual governança do futebol do clube.
Abaixo, uma comparação entre as abordagens de contratação citadas pelo colunista:
| Aspecto | Modelo Allan (Sampaoli) | Modelo Kaio Jorge (Atual) |
|---|---|---|
| Origem da Demanda | Exclusiva do Treinador | Diretoria / Institucional |
| Pressão por Acerto | Constante e Incisiva | Aprovação Técnica sem Imposição |
| Foco do Investimento | Desejo Pontual do Técnico | Ativo de Mercado do Clube |
O foco agora é garantir que o patrimônio do clube seja preservado, independentemente de quem esteja sentado no banco de reservas. A ideia é que o Flamengo contrate jogadores que a diretoria considere valiosos para o projeto a longo prazo, mitigando riscos financeiros e técnicos que surgem quando um treinador possui autonomia total sobre as transferências.
"Nem todas as contratações deverão ser feitas em função do que o técnico quer. Por quê? Eles querem evitar o que aconteceu com o Allan, por exemplo, que só foi contratado porque o técnico da vez insistiu loucamente. O jogador se machucou muitas vezes, não deu retorno técnico, se desvalorizou, hoje vale menos do que valia quando foi contratado, e o Sampaoli já meteu o pé há muito tempo, demitiram ele. Eu acho que isso é importante, muita gente tá achando que é o Filipe Luís, não é não, o Flamengo que quer."
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