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Flamengo e Kaio Jorge: A barreira milionária imposta pelo Cruzeiro

Por Redação Flapress em 05/01/2026 03:10

O cenário das negociações entre Flamengo e Cruzeiro apresenta uma inversão de papéis inédita nos últimos anos. Se outrora o Rubro-Negro utilizava sua saúde financeira para retirar destaques da Toca da Raposa, hoje o clube mineiro demonstra resistência baseada em um caixa robusto. A recente tentativa do Flamengo de contratar o atacante Kaio Jorge, oferecendo cerca de 32 milhões de euros (aproximadamente R$ 207 milhões), foi prontamente rechaçada pela diretoria mineira, que não demonstra pressa ou necessidade de vender seus principais ativos.

A proposta flamenguista envolvia não apenas cifras elevadas, mas também a inclusão do valor de mercado de Everton Cebolinha na composição do negócio. Entretanto, a postura do Cruzeiro é rígida: o atleta só deixa Belo Horizonte mediante o pagamento de 50 milhões de euros (R$ 324 milhões). O vice-presidente mineiro, Pedro Junio, foi taxativo ao classificar a oferta carioca como insuficiente diante do que o jogador representa para o projeto esportivo da equipe.

"A situação do Kaio Jorge se matem a mesma: tem contrato com o clube. Recebemos a oferta do Flamengo, que foi recusada. No nosso entendimento, o valor é muito inferior ao que a gente pensa sobre o atleta, o potencial que ele tem. O atleta que vai se representar no dia 5, normalmente, como o restante do elenco."

Barreiras financeiras e a valorização de Kaio Jorge

Diferente de 2019, quando o Cruzeiro vivia um colapso administrativo, a atual gestão sob o comando de Pedro Lourenço permite que o clube mineiro dite as regras. Naquela época, a venda de Arrascaeta ao Flamengo por 15 milhões de euros foi uma manobra desesperada para maquiar o balanço financeiro e evitar sanções governamentais. Hoje, o Cruzeiro não apenas segura seus talentos como também atrai nomes de peso que estavam na Gávea, como ocorreu com Gabigol, que se transferiu sem custos de transferência após o fim de seu vínculo contratual.

Abaixo, apresentamos um comparativo das principais movimentações financeiras recentes envolvendo as duas instituições, evidenciando o fluxo de capital e atletas:

Jogador Trajetória Valor da Transação
Arrascaeta Cruzeiro para Flamengo (2019) ? 15 milhões
Fabrício Bruno Flamengo para Cruzeiro (2025) ? 7 milhões
Gabigol Flamengo para Cruzeiro (2025) Livre (Fim de contrato)
Kaio Jorge Oferta do Flamengo (2025) ? 32 milhões (Recusada)

A transferência de Fabrício Bruno para o Cruzeiro no início de 2025 ilustra bem essa nova dinâmica. O Flamengo , apesar de sua potência econômica, viu na venda do zagueiro por 7 milhões de euros uma oportunidade necessária para equilibrar o fluxo de caixa imediato. Segundo Luiz Eduardo Baptista, o Bap, a operação foi estratégica para recompor as reservas financeiras do clube em um período de juros elevados e compromissos urgentes.

O impacto das contas equilibradas nas negociações

"O fluxo de caixa estava delicado, fizemos esforços importantes entre a posse e o início do ano. Alguns parceiros que tinham atrasados foram razoáveis e conseguiram ajudar o clube. O Fabrício Bruno foi uma combinação de fatores. O atleta não queria permanecer aqui. Ele tinha vontade de ir para o Cruzeiro e é legítima. Nós chegamos a um bom termo para receber à vista. É um ano difícil, com taxa de juros altíssima, começar o ano com o caixa recomposto é fundamental"

A postura crítica da atual diretoria rubro-negra reflete um planejamento de longo prazo que, embora austero em certos momentos, projeta investimentos massivos para o futuro. O presidente do Flamengo indicou que o clube possui fôlego financeiro para aportes que podem chegar à casa do bilhão de reais nos próximos dois anos, dependendo da avaliação técnica e da necessidade de manter a hegemonia esportiva.

"Se eu tiver que gastar R$ 1 bilhão para continuar ganhando a p... toda, eu posso gastar. Uma coisa é você querer gastar e não poder porque não pode pagar. A decisão de gastar só tem consequência, tem que ter dinheiro para pagar. E quando eu olho dentro desse horizonte de dois anos de planejamento, eu poderia gastar R$ 1 bilhão. Devo? Aí entra a avaliação. Vamos caminhar um dia de cada vez."

Da fragilidade de Arrascaeta ao poderio da SAF

É impossível não traçar um paralelo com a saída de Arrascaeta . Em 2019, o uruguaio deixou Minas Gerais em meio a um ambiente de incertezas que culminaria no rebaixamento cruzeirense. O dinheiro daquela venda foi utilizado para evitar que o prejuízo do clube ultrapassasse o limite permitido pelo Profut. Atualmente, o cenário é oposto: com a SAF consolidada e investimentos em nomes como Cássio e Matheus Henrique, o Cruzeiro recuperou sua capacidade de dizer "não" ao mercado nacional.

Diante da intransigência mineira em relação a Kaio Jorge, o Flamengo já começa a observar alternativas no mercado internacional para reforçar seu setor ofensivo. Marcos Leonardo, atualmente no Al-Hilal, surge como o principal plano de contingência. Enquanto isso, o Rubro-Negro mantém o monitoramento sobre o artilheiro do Brasileirão, mas entende que, no momento, a balança do poder nas negociações pende para o lado de Belo Horizonte.

O embate por Kaio Jorge é mais do que uma simples negociação de atleta; é o reflexo de um novo ordenamento financeiro no futebol brasileiro, onde a gestão profissional das SAFs começa a desafiar a soberania econômica que o Flamengo ostentou de forma isolada na última década.

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