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Filipe Luís: Técnico do Flamengo Fala Sobre Pressão, Vaias e Futuro do Time
Por Redação Flapress em 23/02/2026 00:00
Apesar da vitória do Flamengo por 3 a 0 sobre o Madureira, em partida válida pela ida das semifinais do Campeonato Carioca, o foco de Filipe Luís na coletiva pós-jogo recaiu sobre as dificuldades enfrentadas pela equipe e a relação com a torcida. O treinador reconheceu o momento delicado do time e a insatisfação demonstrada pelos torcedores antes mesmo do apito inicial.
O clima no Maracanã, antes do confronto, foi marcado por manifestações da arquibancada, com gritos de "time sem vergonha" e "queremos raça". Tais protestos ocorreram quando o placar ainda estava inalterado, evidenciando a insatisfação com o desempenho recente, mesmo antes dos gols que definiram o placar no segundo tempo.
A Responsabilidade do Comando Técnico
Filipe Luís assumiu a responsabilidade pelo desempenho aquém do esperado do elenco rubro-negro. "Quando você vê o Flamengo não performando com o elenco que tem é culpa do treinador, seja quem estiver aqui", afirmou, ponderando que a pressão e a ansiedade podem estar afetando os jogadores. Ele reconheceu que a cobrança é intensa, especialmente em um clube que não está acostumado a passar por períodos de instabilidade. "Acho que tem a questão mental e de ansiedade, o medo de errar e todas as peças vão caindo e pioram a performance, isso acontece. A cobrança foi muito grande, não estavam acostumados com momentos de crise, mas é minha responsabilidade fazer eles voltarem a performar", declarou.
Compreensão e Necessidade de Apoio
Ao abordar as manifestações da torcida, o técnico demonstrou compreensão. "Sobre as vaias, a gente entende. Os jogadores precisam de carinho, mas não podemos pedir isso. Os jogadores precisam mostrar em campo. A gente está carente, digamos, mas por culpa nossa", admitiu. Ele explicou que a dificuldade em executar jogadas no "ambiente" criado pode ser um fator, e que algumas alterações foram feitas pensando na recuperação de atletas como Cebolinha e Carrascal, além do próprio desgaste do Madureira.
A Pressão como Privilégio e Desafio
Filipe Luís comparou a pressão vivida no Flamengo à do Real Madrid, destacando a intensidade única no futebol brasileiro. No entanto, ele ressaltou que a maior dificuldade não reside na crítica excessiva, mas sim nos elogios em demasia em momentos de sucesso. "Você é colocado em tal patamar que não está preparado para cair", analisou, lembrando de sua própria experiência em 2019 com uma lesão. Para ele, a pressão é um "privilégio" que desafia o grupo a alcançar seus objetivos. "Temos elenco para brigar por tudo e por isso a pressão é grande", concluiu.
Preparação para a Recopa e o Centésimo Jogo
O olhar do treinador já se volta para o decisivo confronto da Recopa Sul-Americana contra o Lanús. Ele reconheceu a força do adversário, comparando-o ao Estudiantes, um time que já incomodou o Flamengo . "Não é preocupação, temos que trabalhar. Não tenho dúvida que com o Maraca lotado podemos reverter essa situação", projetou, confiante no apoio da torcida para reverter o placar no jogo de volta.
O técnico também celebrou seu centésimo jogo à frente do clube, expressando gratidão e compromisso. "Me sinto privilegiado. Eu lido bem com as críticas esportivas, as outras nem tanto. São naturais, faz parte do cargo que estou hoje. Se eu fosse um cara conformado não estaria aqui. Cada vez que estou em campo eu coloco ali o que conquistei porque posso ser xingado e apagar tudo o que já fiz no clube. Confio no trabalho, amo o clube e amo a pressão que vivo. Isso me deixa vivo, me desafia mais. Quero reverter essa situação, que a torcida cante que 'o campeão voltou'", declarou com convicção.
Análise Tática e Gerenciamento de Elenco
Filipe Luís também comentou sobre a performance defensiva, destacando a importância de não sofrer gols e a insistência nesse aspecto. Ele admitiu a necessidade de corrigir detalhes na recomposição e na marcação de passes por dentro, como os que o Madureira conseguiu executar. Em relação às críticas sobre a variação tática, o treinador explicou que a estrutura do elenco dita as possibilidades de jogo, comparando com equipes como PSG e Bayern. "Tenho cinco volantes no elenco , se contar o Paquetá são seis. Tenho que montar o time de acordo com as peças que tenho", justificou, ressaltando que o esquema tático se adapta e os jogadores trocam de posição de forma estudada para potencializar os talentos individuais.
Por fim, ao ser questionado sobre a possibilidade de Luiz Araújo ganhar a vaga titular para a próxima partida, o técnico elogiou o jogador, destacando sua importância e capacidade de desequilibrar. Ele ressaltou que a decisão sobre quem inicia jogando é estratégica e que, por vezes, jogadores que entram no segundo tempo podem ser cruciais para o resultado.
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