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Ex-promessa do Flamengo: Sérgio Barboza narra aventuras no futebol alternativo
Por Redação Flapress em 14/01/2026 12:05
A trajetória de alguns atletas no futebol nem sempre segue o roteiro dos grandes craques. Sérgio Barboza, com passagem pela base de clubes tradicionais cariocas como Botafogo, Fluminense e Vasco, chegou a se profissionalizar no Flamengo durante a era dourada de Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. No entanto, o caminho para o time principal não se concretizou. Aos 32 anos, ele agora colhe os frutos de suas vivências, mas através das redes sociais, onde se autointitulou "jogador dublê".
Com um talento para narrar suas experiências, o lateral, que também atua como meio-campista, tem cativado o público online ao compartilhar episódios marcantes de sua jornada por países fora dos circuitos tradicionais do esporte. Sua habilidade de contar histórias, combinada com um humor peculiar, tem sido a chave para sua crescente popularidade.
O "Dublê" que Transforma Dólares em Histórias
Sérgio Barboza, com um sorriso no rosto, define sua atual ocupação de forma peculiar: "O jogador dublê não acumula dinheiro, mas tem muita história para contar (risos). A profissão é a mesma. Só muda o dinheiro. É igual a um dublê do cinema mesmo". Essa analogia resume perfeitamente a sua realidade, onde a riqueza material pode não ter sido o principal ganho, mas as experiências acumuladas são inestimáveis.
Sua carreira, que teve início nas categorias de base dos gigantes do Rio de Janeiro, incluindo o Flamengo entre 2011 e 2012, permitiu que ele chegasse a treinar ao lado de Ronaldinho Gaúcho . Essas lembranças inspiram muitas de suas narrativas atuais. Apesar de não ter tido oportunidades no time principal do Rubro-Negro, sua trajetória o levou a acumular mais de 160 mil seguidores nas redes sociais em pouco mais de quatro meses, impulsionado por suas resenhas sobre o mundo da bola.
A Decisão que Mudou o Rumo de uma Carreira
Ainda jovem, em 2012, Sérgio tomou uma decisão que, em retrospecto, ele considera um erro estratégico: rescindiu seu contrato com o Flamengo para se juntar ao Macaé, clube que vivia um momento de ascensão e que viria a disputar a Série B nos anos seguintes. Ele confessa que a ânsia por ter minutos em campo o levou a essa escolha.
"Minha base eu tive maior mordomia. Eu me destacava e jogava. Mas quando profissionalizei, comecei a não jogar. Na época eu queria jogar. Olha a cabeça. Estava no Flamengo e queria jogar. Na época meu empresário era amigo do Toninho Andrade, que era técnico do Macaé. Eu rescindi com o Flamengo para acertar com o Macaé."
"Foi a maior loucura que alguém já fez, eu acho. Se eu pudesse voltar no tempo, lógico que eu não faria", lamenta Sérgio Barboza ao comentar sua saída precoce do clube carioca.
A Rotina de um Andarilho da Bola e a Realidade Financeira
A expectativa de Sérgio em ter sequência no profissional do Macaé não se concretizou, pois o lateral Valdir Firmo era um dos destaques da equipe. Com problemas como atrasos salariais, ele iniciou uma trajetória como jogador nômade. Essa instabilidade financeira o impulsionou a buscar oportunidades em mercados menos convencionais.
A possibilidade de receber em moeda estrangeira, como o dólar, tornou-se um atrativo considerável. Embora não revele cifras específicas, Sérgio afirma que é possível manter um padrão de vida acima da média do trabalhador brasileiro, ainda que distante do universo dos grandes astros do futebol. "Eu sempre falo que dá para se manter como dublê de jogador. O dólar está valendo R$ 6. Tem país que o cara acaba tirando um dinheiro legal", declara.
Experiências Exóticas e um Futuro Planejado
Longe dos holofotes, Sérgio Barboza coleciona histórias pitorescas, desde comer espetinhos exóticos até ser apresentado em um novo clube montado em um camelo. Ele chegou a ser animador de festas infantis nos Estados Unidos e se tornou uma figura conhecida na Ásia, tendo estrelado um clipe musical no Nepal que viralizou. Sua habilidade em contar esses "causos" o transformou em uma celebridade nas redes sociais.
Com um vocabulário próprio para suas resenhas, Sérgio demonstra um planejamento para o futuro. Formado em Educação Física e com licença de treinador pela AFA, ele pretende seguir no meio esportivo após encerrar a carreira de jogador. "O jogador dublê tem que guardar dinheiro, investir, tem que encontrar um caminho. Não pode esperar o futebol te aposentar. O jogador tem muito tempo livre. Fica muito tempo de um quarto, em concentração. Ele treina e volta para o quarto. O cara pode fazer um curso para depois seguir carreira. Eu fiz educação física e hoje tenho licença AFA, posso parar e virar treinador", explicou.
Atualmente, Sérgio está prestes a embarcar para mais uma experiência em Angola, onde acertou com o Bravos do Maquis. "Estou acertado com o Bravos do Maquis, da Angola. Eu vou me apresentar lá nos próximos dias", confirmou.
Dicionário do Jogador Dublê
Para facilitar a compreensão de suas narrativas, Sérgio criou um glossário particular:
Termo Significado Jogador dublê Jogadores que vivem longe dos holofotes do futebol. Conseguir uma barquinha Acertar com um novo clube. Pagamento 3/1 Recebimento salarial a cada três meses. Mês com 150 dias Pagamento salarial a cada cinco meses. Arrumar um carvão Conseguir dinheiro em períodos sem clube ou com salários atrasados. Na minha vez é doideirada Usado para explicar algum causo quando a situação era favorável. DVD atualizado Manter um vídeo com lances atualizados para tentar um novo clube. Resenhas em Vídeo do "Jogador Dublê"
As experiências de Sérgio Barboza ganham vida em vídeos que viralizam nas redes sociais, proporcionando aos seus seguidores um vislumbre único de sua trajetória:
- Treinos com R10 no Flamengo
- A rescisão com o Flamengo para jogar no Macaé
- O dia de dançarino no Nepal
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