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Flamengo: Os Fotógrafos que Eternizam a Glória Rubro-Negra em Cada Clique
Por Redação Flapress em 19/08/2025 12:10
No dia 19 de agosto, quando o mundo celebra o Dia da Fotografia, um olhar atento se volta para os bastidores do Ninho do Urubu, onde a história do Clube de Regatas do Flamengo é meticulosamente documentada. Em um cenário onde cada lance, cada emoção e cada conquista são efêmeros, a fotografia emerge como o pilar da memória, garantindo que a grandiosidade rubro-negra seja perene. Atualmente, essa missão vital recai sobre os ombros de Gilvan de Souza e Adriano Fontes, profissionais que, apesar de pertencerem a gerações distintas, compartilham uma paixão singular por eternizar o legado flamenguista através de suas lentes.
A responsabilidade de ser o cronista visual de um dos maiores clubes do mundo transcende a mera técnica. É uma conexão profunda com a essência do futebol e a paixão de milhões. Gilvan de Souza, um veterano na área, descreve o impacto de seu trabalho com uma profundidade que revela a dimensão de sua arte.
Posso falar para você que é indescritível. Não tenha dúvida. É eternizar o momento do clube como um todo, das pessoas envolvidas com ele, com o torcedor, com o jogador. É muito louco saber que tem gente que pega a sua foto e faz tatuagem, que eterniza de uma outra forma qualquer com quadro, faz um banner, não sei. É um sentimento muito louco.
Adriano Fontes, por sua vez, ecoa o sentimento de seu colega, adicionando a dimensão da responsabilidade inerente à função. Para ele, a fotografia é um veículo para expressar o intangível.
É meio clichê falar isso, mas é de fato inexplicável. Eu acho que eu sempre fui um cara que, desde quando eu me entendi como fotógrafo, eu busquei colocar as emoções e o sentimento na fotografia. Eu acredito que as fotos já descrevem isso. Essa honra que é poder trabalhar no Flamengo e eternizar esses momentos. Assim como é uma honra, é muito maneiro e tal, é uma responsabilidade muito grande. E esse contexto de responsabilidade traz essa importância também de sempre buscar registrar da melhor forma. Então, assim, é um orgulho, acho que não só para mim, mas para toda a minha família rubro-negra, que vive esse sonho comigo também.
A Trajetória dos Guardiões da Imagem Rubro-Negra
A jornada de Gilvan de Souza na fotografia começou em Juazeiro, Bahia, há 26 anos, impulsionada por uma pequena câmera presenteada por sua mãe. O interesse inicial por aprender a manusear o equipamento o levou a um curso, que, inesperadamente, abriu as portas para um estágio em um jornal, redefinindo sua carreira. Em 2014, quando a proposta do Flamengo surgiu, sua reação inicial foi de confusão, pensando que se tratava de um bairro. A magnitude da oportunidade só se revelou com o início do trabalho. Hoje, após 11 anos dedicados ao clube, Gilvan ainda se surpreende com a dimensão de sua influência.
Toma proporção muito absurda, é muito louco. Eu realmente confesso a você que eu não tenho noção, apesar de tanto tempo de Flamengo, não tenho noção do que é trabalhar aqui ainda. Não tenho, eu falo com toda sinceridade do mundo. Tem gente que aborda na rua, fala. A gente vai a alguns lugares que não tem o costume de receber Flamengo, tipo Nordeste, às vezes a galera fala que acompanha as fotos. Eu pego Uber, de cada 10 motoristas, 5 reconhecem. Pelo nome que é diferente, associam, um cara de Flamengo, só pode ser ele. O Flamengo proporciona umas coisas na minha vida que eu jamais imaginei passar. Nunca.
Adriano Fontes, com 25 anos, iniciou sua jornada fotográfica aos 14, inspirado pela irmã que praticava futebol feminino. Embora esteja oficialmente no Flamengo há apenas sete meses, ele já prestava serviços para o clube desde 2021. Sua ascensão o colocou ao lado de uma de suas maiores referências profissionais: Gilvan. Essa convivência diária é, para Adriano, uma fonte constante de aprendizado e inspiração.
Hoje, eu trabalho com o Gilvan, que é um ídolo para mim. Quando eu comecei, me inspirava nele. Tenho muitas lembranças de fotos que eu via dele e que hoje eu posso reproduzir. Uma coisa legal, que eu jamais vou me esquecer, foi que ele me colocou para fazer a foto do título do Campeonato Carioca. Aí vem a questão da responsabilidade. É uma foto que vai ficar marcada, que está aqui no CT exposta e que vai ficar para sempre na história de um título. Ele me dar essa oportunidade ali na minha primeira final, foi algo que me marcou.
Para facilitar a compreensão das trajetórias distintas, mas complementares, desses dois pilares da fotografia rubro-negra, apresentamos um resumo comparativo:
Característica | Gilvan de Souza | Adriano Fontes |
---|---|---|
Idade | 54 anos | 25 anos |
Anos de Fotografia | 26 anos | 11 anos |
Chegada ao Flamengo | 2014 (11 anos) | 2021 (7 meses oficial) |
Ponto de Partida | Juazeiro, BA | Rio de Janeiro (Rio das Pedras) |
Inspiração Inicial | Câmera da mãe, curso | Irmã jogadora, Gilvan |
Lentes que Marcam: As Imagens Mais Emblemáticas do Flamengo
A seleção de imagens prediletas é um desafio para quem tem o privilégio de registrar a rica história do Flamengo . Tanto Gilvan quanto Adriano possuem em seus portfólios cliques que transcendem o registro, tornando-se símbolos de momentos inesquecíveis. Adriano destaca a foto de Bruno Henrique em sua primeira partida como fotógrafo do clube, uma imagem que capta a essência da conexão entre jogador e torcida. Ele também ressalta o trabalho realizado no Mundial de Clubes, onde conseguiu integrar sua própria história e a realidade de sua comunidade, Rio das Pedras, à narrativa rubro-negra. Uma foto de uma criança imitando os pais em um momento de fé no Maracanã e um registro recente de Rossi com jogadores da base, remetendo a uma obra de Gilvan, ilustram sua sensibilidade e inspiração.
Acho que a foto mais marcante é a do Bruno Henrique. Foi o meu primeiro jogo como fotógrafo do Flamengo. Consegui enquadrar ali, pegando a torcida, ele de braços abertos. Todo esse contexto que é a importância do Flamengo: o jogador e a torcida. Tem um trabalho também que fiz no Mundial de Clubes que acabei trazendo a possibilidade de fazer a torcida na favela e eu sugeri fazer no Rio das Pedras, que é uma favela onde eu cresci, nasci e fui criado. Produzindo essas fotos, eu consegui trazer um pouco da minha essência também e o que é ser Flamengo. Tem uma foto de uma criança no Maracanã, que ela está meio que rezando. Obviamente, ela não entendia o que estava fazendo, mas estava meio que imitando os pais, imitando as pessoas que estavam naquele momento de fé e torcendo pelo Flamengo. Tem uma foto que eu fiz uns meses atrás que ela lembra um pouco outra foto que o Gilvan fez. Tem um pouco a ver essa coisa da inspiração, vê-lo como exemplo. Fiz uma foto do Rossi no primeiro plano, no segundo tem dois jogadores da base, entre eles um goleiro.
Gilvan, por sua vez, elege a icônica imagem do ônibus de 2019, rumo a Lima, como uma das mais emblemáticas, por sua capacidade de encapsular a jornada vitoriosa. Outros registros que se destacam em sua memória incluem a foto dos três goleiros observando o primeiro treino de Júlio César, a cena de jovens talentos observando os profissionais do lado de fora do campo, e o mosaico com a imagem de Vinícius Júnior celebrando um gol contra o Emelec na Libertadores. Essas imagens não são apenas registros; são narrativas visuais que pontuam a trajetória do clube.
Aquela foto de 2019, do ônibus, que eu sempre vou falar dessa, porque realmente é uma das mais emblemáticas. É a foto na ponte, indo para Lima. A foto dos três goleiros assistindo ao primeiro treino do Júlio César aqui, uma foto no CT também dos jogadores correndo em campo e dois molequinhos levantaram a placa de publicidade do lado de fora, olhando os jogadores. Tipo, um dia eu vou estar ali naquele campo. Uma da base que acabei de tirar e gostei muito. A do Vinícius Júnior, que virou um mosaico, com o gol contra o Emelec na Libertadores, o óculos com uma lente só.
O Legado Visual no Coração do Ninho do Urubu
O impacto do trabalho desses fotógrafos é palpável no próprio Ninho do Urubu. As paredes do centro de treinamento são um testamento visual da grandeza do Flamengo . Na área externa, imagens da conquista da Libertadores de 2022 e da euforia de 2019 recepcionam os visitantes, enquanto na entrada do módulo profissional, registros de títulos e, notavelmente, da paixão da torcida, são enaltecidos. A área interna, de acesso restrito, é um verdadeiro santuário visual, onde cada jogador é contemplado com seu próprio registro, e uma parede inteira é dedicada às conquistas mais recentes. A promoção de atletas das categorias de base é celebrada com a inclusão de suas fotos, em um sistema que prioriza os capitães em molduras verticais e os demais em horizontais. A curadoria dessas imagens é um esforço conjunto, garantindo que o acervo visual esteja sempre atualizado e representativo.
Desafios e a Equipe por Trás das Lentes
A profissão de fotógrafo esportivo, especialmente em um clube da dimensão do Flamengo , não é isenta de adversidades. Gilvan relembra a Supercopa do Brasil em Belém, onde, para capturar a imagem de Bruno Henrique beijando a camisa, permaneceu encharcado por seis horas sob uma tempestade inclemente, sem jamais perder o foco no objetivo: a primeira taça da temporada. Além das intempéries climáticas, desafios como iluminação inadequada, conectividade de internet e o transporte de equipamentos pesados são parte da rotina.
Adriano reflete sobre a abordagem a essas dificuldades, transformando-as em propulsores para a excelência.
Eu busco transformar essa responsabilidade, essas dificuldades do dia a dia que acontecem, faz parte de todos os trabalhos, em realização, em poder fazer o melhor pelo clube, construir uma narrativa que faz sentido.
É importante ressaltar que Gilvan e Adriano não atuam sozinhos. A equipe de fotografia do Flamengo conta também com as talentosas Mariana Sá e Paula Reis, que atuam na Gávea. Elas são responsáveis por registrar o futebol feminino, as categorias de base, os esportes olímpicos e pautas institucionais, ocasionalmente também capturando a fervorosa emoção da torcida. Juntos, esses profissionais formam o quarteto que assegura a preservação da memória visual do Flamengo , um legado que se perpetua a cada clique.
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